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- 23 de novembro de 2006 -
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Papa reflete sobre a Igreja e o Apóstolo São Paulo na catequese semanal

Roma, 23 (NE – eclesiales.org) A realidade da Igreja na vida e o pensamento de São Paulo foi o tema da catequese dada na quarta-feira de ontem pelo Papa Bento XVI. Em sua reflexão ante os milhares de peregrinos reunidos na Praça São Pedro para a audiência geral, o Papa recordou que, para São Paulo, “o primeiro contato com a pessoa de Jesus deu-se através do testemunho da comunidade cristã de Jerusalém” e “isto nos leva a uma primeira e importante observação: a Jesus se chega normalmente, para acolhê-lo ou rechaçá-lo, através da mediação da comunidade que crê”.

“De certa maneira isso foi o que aconteceu com Paulo”, mas em seu caso “a adesão à Igreja foi propiciada por uma intervenção direta de Cristo, que, revelando-se no caminho de Damasco, se identificou com a Igreja e lhe fez entender que perseguir a Igreja era persegui-Lo. (...) Daí se compreende porque a Igreja tenha, a partir de então, estado tão presente nos pensamentos, no coração e a atividade de Paulo”.

“Esteve, em primeiro lugar, enquanto que literalmente Pablo fundou diversas Igrejas nas numerosas cidades às que viajou como evangelizador”, e ao mesmo tempo, “em suas epístolas nos explica também sua doutrina sobre a Igreja enquanto tal. É bem conhecida sua original definição da Igreja como “corpo de Cristo”, que não encontramos em outros autores cristãos”.

“Encontramos a raiz mais profunda desta designação surpreendente — explicou o Santo Padre — no sacramento do corpo de Cristo. (...) Na Eucaristia, Cristo nos dá seu Corpo e nos faz seu Corpo. (...) Com tudo isso, Paulo nos faz compreender que existe não só uma pertença à Igreja, mas sim também uma forma de equiparação e de identificação da Igreja com Cristo. Daqui deriva a grandeza e a nobreza da Igreja, ou seja, (...) do ser membros de Cristo, quase uma extensão de sua presença pessoal no mundo”.

“Daqui derivam também as exortações de São Paulo a respeito dos diversos carismas que animam e estruturam a comunidade cristã”, afirmou o Santo Padre, destacando a importância de que “todos os carismas cooperem na edificação da comunidade e não se convertam em motivo de separação”.

“Obviamente, destacar a exigência de unidade não significa dizer que a vida eclesial deva se uniformizar ou homologar a um único modo de atuar, (...) mas se há um critério importante para Paulo, é o da edificação mútua. (...) Há, inclusive, uma carta na que Paulo apresenta a Igreja como esposa de Cristo, (...) tanto no sentido de que “o amor é mútuo” como no de que “devemos ser fielmente apaixonados d’Ele”.